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Quando o clima adoece, a Enfermagem precisa estar pronta para cuidar: Calor extremo, queimadas, enchentes já pressionam os serviços de saúde.


05.10.2026

A crise climática deixou de ser uma ameaça distante. Ela já está presente no cotidiano dos serviços de saúde e começa a transformar a forma como profissionais e gestores precisam planejar o cuidado. Ondas de calor, queimadas, períodos prolongados de seca, enchentes e alterações ambientais podem aumentar a ocorrência de doenças, dificultar o acesso aos serviços e comprometer a continuidade da assistência.

Pesquisadores defendem que a crise climática seja reconhecida internacionalmente como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). O alerta foi publicado em carta na revista científica The Lancet, que conclama a Organização Mundial da Saúde (OMS) e seus Estados-membros a fortalecerem a resposta coordenada diante dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde.

Para a Enfermagem, os efeitos dessa crise são particularmente relevantes. Enfermeiros, técnicos e auxiliares estão na linha de frente da assistência e participam diretamente da prevenção, do acompanhamento de pacientes, da educação em saúde, da vigilância e da resposta a situações de emergência.

O clima também chega ao serviço de saúde
O aumento das temperaturas, a fumaça provocada por queimadas, a alteração no regime das chuvas e os eventos extremos podem favorecer ou agravar problemas respiratórios, cardiovasculares e infecciosos, além de ampliar riscos relacionados à saúde mental, à segurança alimentar e ao acesso à água potável.

Em situações de emergência, o impacto também aparece dentro das unidades de saúde. Equipes podem enfrentar aumento repentino da demanda, dificuldades de deslocamento, interrupção no fornecimento de insumos e medicamentos e necessidade de reorganização dos fluxos de atendimento.

Na prática, cuidar da saúde diante da crise climática significa também garantir que o sistema de saúde consiga continuar funcionando quando a população mais precisa dele.

Na Amazônia, o rio pode determinar o acesso ao cuidado
Os impactos são ainda mais evidentes em regiões onde o deslocamento depende das condições ambientais. Na Amazônia, períodos de seca severa já provocaram isolamento de comunidades, dificultando o transporte de profissionais, medicamentos, vacinas e outros insumos.

Quando o nível dos rios diminui, pacientes podem ter dificuldade para chegar a uma unidade de saúde e equipes podem não conseguir alcançar comunidades mais remotas. O resultado é um desafio direto para a continuidade do cuidado.

O problema também envolve a salinização de rios em áreas do Amapá, fenômeno associado ao avanço do mar e às mudanças ambientais, que ameaça o abastecimento e a sobrevivência de comunidades ribeirinhas.

Embora Mato Grosso do Sul tenha características geográficas diferentes, o Estado também está sujeito aos efeitos de eventos climáticos extremos, especialmente períodos de calor intenso, estiagens, queimadas e alterações no regime de chuvas.

Mais calor, mais pressão sobre a saúde
O calor extremo exige atenção especial dos serviços de saúde. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e populações em situação de vulnerabilidade podem apresentar maior risco diante de temperaturas elevadas.

A fumaça das queimadas também representa um importante fator de preocupação. A exposição à poluição atmosférica pode agravar doenças respiratórias e aumentar a procura por atendimento, pressionando ainda mais uma rede que precisa estar preparada para responder rapidamente.

Nesse cenário, a atuação da Enfermagem ganha ainda mais importância.

A orientação à população, a identificação precoce de sinais de agravamento, o acompanhamento de pessoas vulneráveis, a educação em saúde e a atuação em situações de emergência fazem parte de uma assistência que precisa considerar também os efeitos das mudanças ambientais.

Cuidar do planeta também é cuidar das pessoas
A discussão sobre saúde e meio ambiente não significa atribuir aos profissionais de saúde a responsabilidade pela solução da crise climática. Significa reconhecer que as consequências das mudanças ambientais chegam diretamente às pessoas e, consequentemente, aos serviços de saúde.

A Enfermagem pode contribuir para esse enfrentamento por meio da promoção da saúde, da prevenção de doenças, do uso racional de recursos, do descarte adequado de materiais, da redução de desperdícios e da orientação da população.

É uma perspectiva que aproxima dois princípios fundamentais: proteger o ambiente e proteger a vida.

O SUS precisa estar preparado para o novo cenário
A adaptação da infraestrutura e dos serviços de saúde também é fundamental. Segundo informações do Ministério da Saúde, o AdaptaSUS reúne 27 metas e 93 ações, com previsão de investimentos de R$ 9,8 bilhões até 2035.

Para os Conselhos de Enfermagem, a preparação precisa incluir também os profissionais que estarão na linha de frente dessas transformações.

A crise climática exige planejamento, prevenção, capacitação e capacidade de resposta.

Para o Coren-MS, discutir os impactos do clima sobre a saúde é também discutir a valorização e a preparação da Enfermagem para novos desafios assistenciais. Afinal, quando uma emergência ambiental se transforma em emergência de saúde, são os profissionais que estão ao lado da população para acolher, orientar, assistir e salvar vidas.

O clima está mudando. Os riscos para a saúde também. E a Enfermagem precisa estar preparada.

Fonte: Cofen

Assessoria de Comunicação Coren-MS

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