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Quando a ofensa vira violência: Cofen leva à Justiça ataques contra enfermeiras


01.10.2026

Ação civil pública busca responsabilização por conteúdos misóginos que associam profissionais de Enfermagem a comportamentos sexuais e reforçam estereótipos contra uma categoria formada majoritariamente por mulheres

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) acionou a Justiça Federal contra o influenciador digital Gabriel Silva, conhecido nas redes sociais como “Gordão”, após a publicação de vídeos com ataques às profissionais de Enfermagem. A ação civil pública foi apresentada nesta terça-feira (30) à Justiça Federal do Distrito Federal e pede a retirada dos conteúdos, retratação pública e medidas para impedir novas manifestações ofensivas contra a categoria.

Para o Coren-MS, o episódio chama atenção para uma questão que ultrapassa as redes sociais: a necessidade de preservar a dignidade e o respeito às mulheres que exercem a Enfermagem e combatê-la associação da profissão a estereótipos sexistas.

A Enfermagem brasileira é formada majoritariamente por mulheres. Segundo dados apresentados na ação, 84,6% das equipes de Enfermagem são mulheres. Dessa forma, manifestações que sexualizam ou desqualificam profissionais em razão de sua atividade atingem diretamente uma parcela expressiva da categoria.

Na avaliação apresentada pelo Cofen à Justiça, os conteúdos publicados ultrapassariam os limites da liberdade de expressão ao atribuir, de maneira generalizada, comportamentos de natureza sexual às mulheres em razão da profissão.

Respeito também é cuidado
A atuação dos Conselhos de Enfermagem inclui a defesa da valorização profissional e da qualidade da assistência prestada à população. Nesse contexto, o combate à desinformação, à sexualização e à desqualificação da categoria também contribui para preservar a confiança da sociedade nos profissionais responsáveis pelo cuidado em saúde.

A ação cita a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, da qual o Brasil é signatário, destacando a necessidade de combater padrões socioculturais baseados em estereótipos relacionados aos papéis de homens e mulheres.

O documento também apresenta dados sobre violência contra as mulheres no Brasil e chama atenção para a dimensão que agressões e ofensas podem assumir quando disseminadas no ambiente digital.

Cofen pede retirada dos conteúdos e retratação
Entre os pedidos apresentados à Justiça Federal estão a retirada dos dois vídeos no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, além de uma retratação pública em vídeo e texto, com permanência no topo do perfil por 30 dias.

O Cofen também pede indenização de R$ 20 mil por dano moral coletivo, com destinação ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, e multa de R$ 10 mil para eventual nova publicação ofensiva às profissionais de Enfermagem.

Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça Federal.

Para o Coren-MS, a iniciativa reforça a importância de que a Enfermagem seja tratada com o respeito compatível com sua responsabilidade social e profissional. A categoria está presente diariamente em hospitais, unidades de saúde, serviços de urgência, instituições de longa permanência, domicílios e em diversos outros espaços de assistência.

Atacar a dignidade de quem cuida também atinge a própria valorização da Enfermagem.

Fonte: Cofen

Assessoria de Comunicação Coren-MS

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